| Uma entrevista inusitada. Ou capciosa? |
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| Ter, 21 de Setembro de 2010 17:51 | |||
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Pelo email reproduzido a seguir, recebi um pedido para uma espécie de entrevista. Não entendi direito o objetivo da coisa, porque a pessoa é da Assessoria Editora, empresa que eu, e o Google, desconhecemos. E veio em nome de Marcelo Mussato. Que é o mesmo caso: também não o conheço. Embora o email tenha de cara algo que me desagrada, por forçar uma intimidade ao usar o chavão das moças de telemarketing: "tudo bem?", o que soou mais esquisito foi a justificativa para me fazer as perguntas: "Acho saudável discutir política com pessoas que lem diversos veículos para formar determinada opinião. E não apenas o noticiário nacional. Tenho certeza que é o seu caso". Seria então um tipo de pesquisa na forma de entrevista, feita por um novo veículo de comunicação, já que sou da área de mídia? Mas em seguida fica mais claro, mas não conclusivo, que a "coisa" tem objetivos políticos, ao declarar: "Uma coisa é certa, temos e tivemos problemas graves com os dois partidos no poder". "Eu tenho acompanhado as suas críticas ao atual governo". Bem, posso ainda não saber o que é a Assessoria Editora e nem quem é o Marcelo Mussato, mas ele, com certeza já leu o que ando escrevendo. Apresento o emal recebido, e mais adiante as minhas respostas.
Agora reproduzo como foi minha resposta ao email e minhas respostas as perguntas: Marcelo: Não consegui te identificar, pois não sei se Marcelo Mussato Gerin é você, e também não achei a Assessoria Editora. Mas não tem importância porque, assim como meu perfil é público, as respostas aqui também serão, pois vou aproveitar a oportunidade que você está me dando e coloca-las na minha página. 1. Respondendo aos itens: quando eu escrevi que o Bolsa Família (sobre o Fome Zero nunca disse nada a respeito) é o maior sistema de compras de votos do mundo, fiz minhas, as palavras do Hélio Bicudo, ex-petista e co-fundador do PT, que considero uma das pessoas mais integras e corajosas, além de ter uma cultura jurídica acima da média dos demais desembargadores e, ao contrário de muita gente que dita as verdades para si, se ele disse isso do Bolsa Família, quem sou eu para não concordar com ele, uma pessoa muito superior a mim e a muita gente com cargos e poderes elevados (alguns inclusive, mais elevados do que suas rasas capacidades e cultura). O fato do Programa ter sido elogiado por uma ONG internacional neutra é muito relativo. Qual é essa ONG? É neutra mesmo? Ser destaque ao combate à fome é fácil. Basta dar cestas-básicas ao povo. O difícil é conseguir se destacar no combate ao baixo nível educacional e tecnológico do País. O que não estamos conseguindo e sendo ultrapassados por Índia, Chile e já fomos pela Corea, Espanha e outros. Quanto ao fato do dinheiro “dado” pelo governo aos participantes do Bolsa Família fazer girar a economia, este raciocínio não tem o menor sentido, porque a maior crítica ao Programa é a transferência de dinheiro gerado por quem pagou impostos – portanto, trabalhou – para pessoas que o recebem sem ter tido a necessidade de trabalhar por ele. E aproveitando seu exemplo de que “o Constantino da Gol ficou com o Bolsa Família”, emendo dizendo que o Constantino, fundador e pai do presidente da empresa, deve ter ficado com muito mais que isso, pois não teve maiores problemas em dar um cheque nominal de R$ 2,2 milhões a Joaquim Roriz para que ele pudesse usar uma parte, R$ 270 mil, como empréstimo para “comprar” uma bezerra, e depois, devolver o troco. 2. O Brasil cresceu muito nos últimos anos? Depende. Para os jornalistas comprometidos com o PT (e com outras coisas mais tangíveis) sim, mas para quem faz o exercício básico de comparar grandezas, para avaliar seu real valor, vê que Chile, Índia, Rússia (China nem vamos considerar) e vários outros países cresceram mais que o Brasil. Assim, o Brasil ficou é para trás. Não ter dívida externa, que possui os menores juros do mundo, é de menos – o problema é o grande crescimento da dívida interna, em grande parte gerada para manter a máquina administrativa do governo Lula, com aumentos acima da iniciativa privada e inchando o número de funcionários públicos federais –, e que tem juros, muito, mas muito acima dos padrões internacionais. A relativa melhora da economia do Brasil nos últimos oito anos não tem nada, mas absolutamente nada de méritos à Lula e seu governo, muito pelo contrário, pois sendo ele o iletrado que é e ainda se vangloriando de não gostar de estudar, não poderíamos esperar dele nenhuma iniciativa mais bem elaborada e arrojada para o País, pois fosse nosso Presidente alguém mais preparado, teria aproveitado a crescente demanda e aumento de preços das nossas commodities para gerar oportunidades de crescimento e de desenvolvimento maior do que o ocorrido apenas por inércia, a qual recebeu seu empurrão inicial com o Plano Real de Itamar Franco e FHC, e depois, com FHC e Serra no Ministério do Planejamento, através da Lei de Responsabilidade Fiscal. Quanto a leituras, desculpe, mas pessoas com um mínimo de seriedade, bom senso e não sendo petistas, não lêem Carta Capital, revista patrocinada por empresas estatais cujo editor, Mino Carta, inebriado com seus textos rebuscados, ainda não percebeu (ou está pouco se lixando) que as pessoas sabem muito bem o que há por trás dos reais motivos que o fazem defender com tanta empáfia a candidatura Dilma. Bem Marcelo, estão ai minhas opiniões, e precisando de algum complemento é só pedir, Um grande abraço, Veronezzi Desde o envio da minha resposta não tive nenhuma resposta do Marcelo, nem mesmo para me esclarecer quem é ele, ou quem é a empresa em nome da qual ele enviou o email-questionário.
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