| A Teoria das Janelas Quebradas |
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O texto de Rodolfo Araújo publicado aqui, foi reproduzido do site www.administradores.com.br, e fala sobre a “Teoria das janelas quebradas”, que foi inspiração para a política de “tolerância zero” empregada pela polícia de Nova York na eficaz diminuição da criminalidade. E na forma de uma legislação mais dura, primeiro a Califórnia, e depois outros Estados, adotaram a chamada lei “Three strikes and you are out” (“Três chances e depois você está fora”. Quer dizer, “fora da sociedade”, encarcerada para sempre, ou quase), em que, se a pessoa for pega praticando um terceiro crime, mesmo de pouquíssima gravidade, como roubar um chocolate no supermercado, é condenada entre 25 anos a prisão perpétua. E não há nada que o juiz possa fazer para atenuar isso. Não há redução de pena, não há regime semi-aberto, nem condicional. Tem que cumprir no mínimo 25 anos dentro da cadeia. Com isso a criminalidade na Califórnia foi reduzida em 45%. Mas sempre tem os idiotas – por natureza, ou por falta de leitura (em “A Laranja Mecânica”, Anthony Burgess mostra o que realmente motiva os criminosos: o prazer em praticar o crime) -, sustentando, até em teses acadêmicas, que os motivos de tanta criminalidade está na exclusão social e falta de oportunidades dadas pelos governos aos menos favorecidos, e por isso, o Estado não deveria ter leis tão duras. Claro que racionalidade não é o forte das pessoas que assim pensam, a maioria adeptas de movimentos radicais de esquerda e chamados de “humanitários”, porque, se exclusão social, pobreza e falta de oportunidades fossem o que conduz as pessoas ao crime, a Índia teria as mais altas taxas de criminalidade. Principalmente de roubos. E lá, mesmo nas cidades mais pobres, são raros os casos de roubos, assaltos e mesmo furtos. E o outro problema das pessoas que são contra leis mais duras, é até mais grave, pois quase as levam a serem cúmplices dos criminosos, ao se posicionarem contra algo que foi provado que diminui a criminalidade. Além de só exporem suas teses só da boca pra fora, pois duvido que essas pessoas, se depois de assaltadas, furtadas, ou tendo alguém muito próximo morto por um criminoso, iriam trata-lo com toda a bondade. Pequenos delitos e a Teoria das Janelas QuebradasPosando de anfitrião para o ex-prefeito de Nova Iorque Rudolph Giuliani em visita ao Rio de Janeiro, o Governador do Estado Sérgio Cabral Filho preferiu jogar para a platéia e levá-lo a uma favela, em vez de conversar seriamente sobre como o americano foi capaz de reduzir drasticamente a criminalidade na Big Apple. Eu diria que Cabral e os demais cariocas perderam uma chance e tanto. Meu primeiro contato com a interessante Teoria das Janelas Quebradas (fixing broken windows) foi através do ótimo The Tipping Point: How Little Things Can Make a Big Difference* de Malcolm Gladwell, onde o autor relata os impressionantes índices de violência da Nova Iorque da década de 1980. Tráfico de drogas, brigas de gangues, homicídios e outros crimes violentos tomavam conta da cidade assim que o sol se punha. Parece familiar?
Em consonância com a idéia central do seu livro, Gladwell sugere que alguns movimentos sociais radicais guardam três características em comum: rápido contágio; grandes efeitos de pequenas causas; e um momento crucial que determina a dramática mudança. No caso específico de Nova Iorque a adoção da política de Tolerância Zero baseou-se na Teoria das Janelas Quebradas† para provocar o efeito das três características em conjunto. Senão vejamos: A imagem de uma janela quebrada e não é consertada é a de algo com que ninguém se importa. Então não há mal em quebrar mais uma, só por diversão, certo?
Um experimento de Phil Zimbardo (o mesmo da Cadeia de Stanford) comprovou isso abandonando dois carros em boas condições e sem placas em diferentes vizinhanças. O que fora abandonado no Bronx começou a ser depredado em apenas dez minutos, enquanto que o largado em Palo Alto, na Califórnia, permaneceu intocado durante uma semana.
Os administradores responsáveis pela cidade de Nova Iorque começaram a entender, a partir de então, que para controlar de fato os crimes violentos era preciso coibir os pequenos delitos antes de tudo, de forma a restaurar as noções mais básicas de ordem, autoridade e segurança. O próximo passo foi combater os caloteiros, pessoas que simplesmente não pagavam passagem. Para isso ele aumentou o policiamento nas estações, prendendo sumariamente quem burlava a lei. Os presos eram levados algemados para ônibus transformados em delegacias-móveis onde eram fichados. Cada prisão revelava-se, ainda, uma grata surpresa aos policiais, pois eram oportunidades para encontrar criminosos procurados ou foragidos por algum delito anterior. E tudo era feito da forma mais ostensiva e pública possível - o que passava o ameaçador recado de que a ordem havia voltado ao metrô, onde as prisões quintuplicaram no período entre 1990 e 1994.
Ainda em 1994, Giuliani foi eleito prefeito de Nova Iorque (depois de perder o pleito anterior) e decidiu que o programa de combate aos pequenos crimes no metrô seria implementado em toda a cidade, agora com o nome de Tolerância Zero.
Claro que não devemos cair na armadilha de atribuir tal fenômeno a uma única explicação. Outros fatores concomitantes contribuíram, também, para a expressiva redução dessas taxas, como por exemplo a recuperação da economia mundial na década de 1990, empregando parte da população que, de outra forma, teria tomado o caminho do crime. As drásticas políticas de combate ao narcotráfico do governo federal tiveram seu papel, assim como a regulamentação do aborto, vinte anos antes, como defenderam Steven Levitt e Stephen Dubner em Freakonomics: A Rogue Economist Explores the Hidden Side of Everything‡.
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| Última atualização em Ter, 22 de Novembro de 2011 19:06 |










